2026/04/14
BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
“Somente quem tem que passar por isso compreende a dificuldade”.
Este foi o desafo de uma mãe que pela primeira vez viveu esse “calvário”. Sem vagas. Com “muita sorte” conseguiu um lugar numa creche.
Estes equipamentos são essenciais para repor a normalidade do casal.
São várias as questões que se devem colocar.
Numa realidade do país, a precisar de trabalhadores, dificulta-se o regresso destes ao trabalho.
Numa sociedade que precisa de aumentar a sua população, em queda há muitos anos, não se dão condições para os casais construírem e viverem a sua família, . Sem que essa decisão lhes cause prejuízos.
Desanimam os casais do seu desejo de ter filhos. Prejudica-se a sua capacidade financeira, fruto da redução do proveito integral do seu trabalho. Prejudica-se o estado, pois tem de ser prolongada a ausência ao trabalho, suportada pelo benefício social.
Se ter filhos já é uma despesa, para muitos difícil, com as dificuldades iniciais por falta de creche, a indecisão aumenta.
Alguns casais optam por ir ‘adiando’ a decisão à espera de melhores dias. Melhor dizendo, de mais vagas. Os anos vão passando e a capacidade natural para conceber também.
Com o enorme volume de apoio financeiro da União Europeia, algo de melhor se podia (devia…) fazer. Em nome da vontade dos casais de ter filhos. Em nome da necessidade de aumentar a população, num dos países mais envelhecidos da UE. Em nome da economia do país, cada vez mais dependente da imigração.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)